Avaliação da manobra de hiperinsuflação manual aplicada por fisioterapeutas em UTIs no Brasil: um questionário sobre a prática clínica

Avaliação da manobra de hiperinsuflação manual aplicada por fisioterapeutas em UTIs no Brasil: um questionário sobre a prática clínica

Author Cezar, Fabiana Almeida Autor UNIFESP Google Scholar
Advisor Volpe, Márcia Souza Autor UNIFESP Google Scholar
Institution Universidade Federal de São Paulo (UNIFESP)
Abstract Introdução: A hiperinsuflação manual (HM), realizada com o auxílio de um ressuscitador manual, é frequentemente utilizada em pacientes sob ventilação mecânica invasiva com o objetivo de auxiliar na depuração de secreções pulmonares. De acordo com especialistas, a HM deve ser constituída por: i) aplicação de alto volume com baixo fluxo inspiratório; ii) pausa inspiratória de 1-2 segundos; e iii) rápida liberação do ressuscitador manual para gerar alto fluxo expiratório. A efetividade da HM é usualmente avaliada pela sua capacidade em gerar um flow bias expiratório, ou seja, o pico de fluxo expiratório (PFE) é superior ao pico de fluxo inspiratório (PFI) gerado nas vias aéreas, o que desloca as secreções em direção as vias áreas centrais, de onde podem ser removidas pela aspiração traqueal. Já foi sugerido que a manobra de HM não é aplicada na prática clínica conforme recomendado na literatura, e que parece ser aplicada com altos PFIs, o que pode torná-la ineficaz ou, pior, resultar em um flow bias inspiratório (PFI>PFE). A existência de um flow bias inspiratório pode provocar o deslocamento de secreção pulmonar em direção ao interior dos pulmões, favorecer o seu acúmulo e piorar a evolução do paciente. Objetivo: Identificar como a HM é aplicada por fisioterapeutas durante a sua prática clínica em unidades de terapia intensiva (UTI) no Brasil. Método: Essa pesquisa foi realizada em parceria com a Associação Brasileira de Fisioterapia Cardiorrespiratória e Fisioterapia em Terapia Intensiva (ASSOBRAFIR), que ficou responsável por enviar por e-mail o convite de participação na pesquisa e o link para responder o questionário para todos os seus associados. Resultados: Participaram do estudo 95 fisioterapeutas com mais do que doze meses de experiência de trabalho em UTI adulto e que realizam a manobra de HM. Verificou-se que a manobra de HM não é realizada por 80% dos entrevistados conforme sua descrição na literatura, e, somente 14% indicam a manobra corretamente. Tampouco a forma modificada da HM, que gera altos fluxos inspiratório, é indicada corretamente para pacientes com secreção pulmonar e com o objetivo de estimular a tosse. Mais do que 85% dos entrevistados consideraram como contraindicações para a realização da HM a presença de pneumotórax não drenado e pressão intracraniana elevada. Enquanto menos do que 60% consideraram positive end expiratory pressure (PEEP) > 15 cmH2O, broncoespasmo e fração inspirada de oxigênio ≥ 60% como contraindicações. A maioria dos entrevistados concorda plenamente com a afirmação de que a manobra de HM é um tratamento efetivo para auxiliar na remoção de secreção em pacientes sob ventilação mecânica invasiva, e concorda parcialmente que a mesma auxilia na prevenção de infecções pulmonares nessa população. Conclusão: Embora os resultados desse estudo não possam ser generalizados para a população de fisioterapeutas intensivistas brasileiros, eles indicam a necessidade de campanhascursos que divulguem e ensinem a forma correta de realização da HM.

Introduction: Manual hyperinflation (MH), performed with the aid of a manual resuscitator, is frequently used in patients undergoing invasive mechanical ventilation with the aim of assisting in the clearance of pulmonary secretions. According to experts, MH should consist of: i) high volume application with low inspiratory flow; ii) inspiratory pause of 1-2 seconds; and iii) rapid release of the manual resuscitator to generate high expiratory flow. The effectiveness of MH is usually assessed by its ability to generate an expiratory flow bias, that is, the peak expiratory flow (PEF) is higher than the peak inspiratory flow (PIF) generated in the airways, which displaces secretions in the direction of the central areas, from where they can be removed by airway suctioning. It has already been suggested that the MH maneuver is not applied in clinical practice as recommended in the literature and the maneuver appears to be applied with high PIFs, which may render it ineffective or, worse, result in inspiratory flow bias (PIF> PEF). The existence of an inspiratory flow bias can cause the displacement of pulmonary secretion towards the lungs, favor its accumulation and worsen the patient outcome. Objective: Identify how MH is applied by physiotherapists during their clinical practice in intensive care units (ICUs) in Brazil. Methods: This research was conducted in partnership with the Brazilian Association of Cardiorespiratory Physiotherapy and Physical Therapy in Intensive Care (ASSOBRAFIR), which was responsible for sending by e-mail the invitation to participate in the research and the link to respond to the questionnaire for all its members. Results: The study included 95 physiotherapists with more than twelve months of experience at working in an adult ICU and that perform the MH maneuver. It was found that the MH maneuver is not performed by 80% of the respondents as described in the literature, and only 14% indicate the maneuver correctly. Also, the modified form of MH, which generates high inspiratory flows, is not correctly indicated for patients with pulmonary secretion and with the purpose of stimulating cough. More than 85% of the interviewees considered the presence of non-drained pneumothorax and elevated intracranial pressure as contraindications for the performance of MH. However, less than 60% considered positive end expiratory pressure > 15 cmH2O, bronchospasm and inspired fraction of oxygen ≥ 60% as contraindications. The majority of respondents fully agree with the statement that HM maneuver is an effective treatment to aid in secretion removal in patients undergoing invasive mechanical ventilation, and partially agrees that it helps preventing lung infections in this population. Conclusion: Although the results of this study cannot be generalized to the population of intensive physical therapists in Brazil, they indicate the need for campaigns that promote and teach the correct form to perform MH
Keywords Modalidades de fisioterapia
Ventilação mecânica
Inquéritos e questionários
Physiotherapy modalities
Mechanical ventilation
Surveys and questionnaires
xmlui.dri2xhtml.METS-1.0.item-coverage Santos
Language Portuguese
Date 2018
Published in CEZAR, Fabiana Almeida. Avaliação da manobra de hiperinsuflação manual aplicada por fisioterapeutas em UTIs no Brasil: um questionário sobre a prática clínica. 2018. 40 f. Trabalho de conclusão de curso de graduação (Fisioterapia) - Instituto de Saúde e Sociedade, Universidade Federal de São Paulo, Santos, 2018.
Knowledge area Promoção, prevenção e reabilitação em saúde
Publisher Universidade Federal de São Paulo (UNIFESP)
Extent 40 f.
Access rights Closed access
Type Trabalho de conclusão de curso de graduação
URI http://repositorio.unifesp.br/handle/11600/51702

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Name: TCC - FABIANA ALMEIDA CEZA2018R.pdf
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